segunda-feira, 23 de abril de 2018

Bye, bye Brasil



O maior espetáculo da Terra:
- Hoje tem espetáculo?
- Tem, sim senhor!
- Vocês querem marmelada?
- Queremos, sim senhor!

Quem nunca foi ao circo? Pois pasme, hoje, muita gente não sabe o que foi “o maior espetáculo da Terra”.

O filme "Bye, bye Brasil", dirigido por Cacá Diegues, retrata de forma melancólica a luta de uma caravana de circo mambembe para sobreviver após o advento da TV nas pequenas cidades do interior do Brasil.

Mas por falar em circo, lembro de um filme que assisti quando menino...

Mostrava com profusão de detalhes o cotidiano de um grande circo. As coisas iam bem até “o circo pegar fogo”. Acho que era em um acidente com o trem em que o circo viajava.

Bom, não importa como o circo terminava, o que importa em nossa breve crônica de costumes é que circos são bons lugares para encenar tramas de amor e ódio. 

Há muitas disputas internas, conflitos, ciúmes, traições, enfim, todos os “ingredientes” para prender os espectadores.

“Um instante, maestro”, diria o Flávio Cavalcante, mas então o circo não morreu!

Como assim? pergunta um curioso e raro leitor…

Outro leitor mais assíduo dirá que já está percebendo as segundas intenções desse blogueiro metido a escritor.

Acertou quem percebeu que “o espetáculo não pode parar”, “o show tem que continuar”, mas botando  fogo no circo...

Façamos um parêntese: desconfio que as origens do circo têm a ver com o “circus” romano em que inimigos do estado eram jogados às feras para delírio da plebe e da nobreza romana.

Ou seja, mudam as arenas e os picadeiros, mas os motivos permanecem os mesmo, lamentavelmente.

Atualmente, o “lugar” onde os inimigos políticos são jogados às feras é a TV e o “espetáculo não pode parar” é levado ao pé-da-letra com transmissões ao vivo durante as 24 horas massacrando as vítimas com requintes de crueldade.

E aí, meu caro e raro leitor, “Bye, bye Brasil” é um conto de fadas perto desse “circo de horrores” que se tornou a mídia comercial brasileira…

Porque já não basta jogar os cristãos às feras - tem que dar um  acachapante 7 X 1 com um sonoro “Bye, bye Brazil”...

Porto Alegre, 23 de abril de 2018.

Imagem: Banco de Conteúdos Culturais

Edu Cezimbra


Poetas


Porto Alegre, 23 de abril de 2018.

Imagem: Pejac

Design: Canva

Edu Cezimbra

sábado, 21 de abril de 2018

Eterno retorno





Sinto tua ausência

Antes de partires,

Sinto tua presença

Antes de voltares.



Sigo na espera
Mesmo sem vires,
Sigo na saudade
Mesmo sem ires.


Sei que partirás
Sem me avisar,
Sei que voltarás
Sem me olvidar.




Porto Alegre, 21 de abril de 2018.

Imagem: Alexandra Levasseur

Edu Cezimbra

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Conto medieval


Robin Hood caiu em uma túnel do tempo e viajou para um passado desconhecido para ele.

Quando despertou do transe percebeu assustado que tudo era diferente naquela aldeia.

Os cavalos eram de aço, as carroças eram dragões que expeliam fumaça e faziam muito barulho.

Robin Hood tapou os ouvidos com cera de abelha para suportar a poluição sonora (expressão desconhecida para ele).

Os homens vestiam trajes muito esquisitos com uma corda pendurada no pescoço. Robin Hood pensou que pareciam enforcados vivos.

Achou ainda mais esquisitos os palácios da cidade: eram achatados e todos envidraçados.

Já estava muito chateado com tantas coisas diferentes do seu mundo quando descobriu como funcionavam o governo, a justiça, o exército e a igreja.

Ao menos isso é igual ao meu reino, pensou conformado, agora é lutar para defender o povo desse usurpador e garantir a volta do legítimo rei!

Porto Alegre, 19 de abril de 2018.

Charge: Tacho

Edu Cezimbra

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Uma questão de fé?


Um escritor conta que durante sua prisão em Auschwitz, um dos muitos campos de concentração nazistas, na Segunda Guerra, perdeu completamente o interesse pela filosofia e o gosto pela poesia.

Não perdeu, porém, a capacidade de observação. Observou que os que resistiam aos horrores cometidos pelos carrascos da SS eram os que não perdiam a fé.

Um outro sobrevivente dos campos da morte nazistas, psicoterapeuta, expressou-se de maneira semelhante sobre o fenômeno: sobrevivia quem não perdia a esperança, quem dava um sentido a todo o sofrimento que suportava.

Fé e esperança, esperança e fé, aí estão os dois sentimentos que sustentaram as vítimas dos psicopatas nazistas.

Disse mais o escritor, que, frise-se, era agnóstico: que não apenas a fé em um Deus, mas a fé em um partido (na época, os partidos estavam em alta)!

Em que pese o Brasil não ter conhecido os horrores dos campos de extermínio de Hitler, seu povo humilde, humilhado e sofrido também desenvolveu um antídoto a tanto sofrimento “diluído”, mas continuado durante mais de cinco séculos.

Aqui, como lá, a fé e a esperança estão sempre presentes. Só que, no Brasil, essa fé e esperança, tão resistente na Europa, para não serem perdidas estão amparadas em uma, digamos, “muleta”: o fatalismo…

- Que se há de fazer, meu filho…
- Foi a vontade de Deus, minha filha…

Percebeu? No Brasil, o que faz o povo aguentar tanta penúria causada pela iniquidade social e econômica é essa impressionante capacidade de resignação e submissão, por paradoxal que pareça.

Lenin, se brasileiro, não escreveria o manual revolucionário “O que fazer?”, pois essa questão não estaria em seu repertório filosófico. Escreveria “ O que se há de fazer...”, com reticências mesmo…

Marx, se brasileiro, e mantendo sua argúcia intelectual, diria que “o cassetete é o ópio do povo”, se é que me entendes…

Mas não nos desviemos… devemos sim nos perguntar “o que fazer?”, porque até o nosso secular fatalismo vai sucumbir diante de tanto escárnio, deboche e desfaçatez de nossos “dirigentes”.

Fica impossível ser fatalista quando estamos nos afogando no “fundo do poço” e ao invés de luz no fim do túnel vemos pus…


Encaremos sim - coragem! os fatos com um pessimismo consequente para não seguirmos no auto-engano nacional. 

"Fatalmente", o que virá, como mostra a história dos povos oprimidos por uma elite cruel é a fatídica pergunta : “ o que temos a perder, senão nossos grilhões?”...

Porto Alegre, 18 de abril de 2018.
Imagem: divulgação
Edu Cezimbra

terça-feira, 17 de abril de 2018

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Sobre animais e homens



Aranhas tecem suas teias para capturar moscas, logo aranhas são 

ardilosas e moscas são moscões.

Burros empacam e não obedecem aos seus donos, mas não são rebeldes, fazem burrices.


Antas nada fazem mas são comparáveis aos burros.

Cadelas são promíscuas e associadas às putas e ao fascismo: “a cadela do fascismo está sempre no cio”, acusa Brecht.

Cobras não falam mas são venenosas e levam a fama de fofoqueiras.

Vacas pastam tranquilas então são vadias.

A lista de animais com características humanas é longa e não é minha intenção catalogar todas nesta postagem.

Provavelmente meus caros e raros leitores emprestariam muitas outras "qualidades" aos inocentes animais que citei.

E aí está: os animais são símbolos com múltiplos significados.

Desconfio que são todos "bodes expiatórios", não te parece? 

- Ou "Lula expiatório"...

Seria engraçado, não fosse trágico, mas provavelmente as muitas crueldades que se cometem contras tantos animais são estimuladas por estas projeções inconscientes.

Nas fábulas, os animais falam e posso imaginar o diálogo entre eles.

O lobo diria para o lobinho: - meu filho, o lobo é o homem do lobo...

A ovelha alertaria as ovelhinhas: - cuidado com o homem em pele de cordeiro.

A galinha contaria aos pintinhos: de ovo em ovo o homem enche o papo.

E por aí vai...mas, felizmente, os animais não são humanos, nem desumanos.

Porto Alegre, 16 de abril de 2018.

Imagem: Google

Edu Cezimbra






sábado, 14 de abril de 2018

Cantiga de Paz


Bem lá do fundo
Do silêncio mais profundo
Feito riacho cristalino
Correndo manso entre as pedras
Como riso de menino
Vai brotando essa canção

E se ouve do silêncio
Uma mensagem de amor
Que vem lá do coração
Como hino de louvor
É uma cantiga de Paz
É uma cantiga de Paz!

Vai crescendo tão bonita
Que a todos ilumina
Como riso de menina
Ecoando tão bendita
É uma cantiga de Paz
É uma cantiga de Paz!

É uma cantiga de Paz
É uma cantiga de Paz!

Ressoando em você
Parece brisa da manhã
E a todos embevece
Como aroma de romã
É uma cantiga de Paz
É uma cantiga de Paz!

Dentro desta harmonia
Todos podem ser felizes
Aprendendo num instante
Esta cantiga com alegria
Que da Paz nos faz amantes
Que da Paz nos faz amantes!

É uma cantiga de Paz
É uma cantiga de Paz!

Porto Alegre, 14 de abril de 2018.

Imagem: Francisco Cezimbra

Edu Cezimbra

sexta-feira, 13 de abril de 2018

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Humor em tempo de golpe


A bem da verdade quem enxerga um palmo adiante do nariz não pode estar de bom humor.

Qual é a graça possível em um golpe que não tem nenhuma graça a não ser para os golpistas que dele se locupletam?

Chargistas que criticam os políticos golpistas recebem mais “carinhas” tristes ou de raiva do que de riso (sempre tem quem consiga rir da própria desgraça)…

Se seguir assim daqui a pouco os humoristas vão mudar para “mal-humoristas” ( fique claro que não são mau humoristas)…

Até piadas antigas são recuperadas: “o Brasil é um país com todo um passado pela frente” é uma das frases lapidares do humor milloriano.

Outra antiga é a frase de outro mal-humorado histórico, o general francês De Gaulle: “ o Brasil não é um país sério”, que atesta a seriedade da nossa situação política de há muito…

Outra dificuldade para os humoristas é a concorrência desleal de políticos, juízes e jornalistas.

Enfim, como disse um outro “humorista”: “o Brasil não é para amadores”, nem para seus amantes, digo eu...

Porto Alegre, 12 de abril de 2018.
Charges: Kayser e Tacho
Edu Cezimbra